Aprender ensinando: a técnica Feynman

Imagino que você tenha alguns excelentes professores. Se puder ter uma conversa com pelo menos algum deles, pergunte como foi que ele aprendeu essas coisas que ensina. Ele provavelmente dirá que era um bom aluno na escola e que fez uma boa faculdade. Insista na investigação, perguntando sobre algum tópico especialmente complicado:

“Quer dizer que, quando você começou a dar aulas, já dominava assim o assunto X, só com o que aprendeu durante a faculdade?”

Muito provavelmente, se ele puder fazer uma reflexão honesta, dará a seguinte resposta:

“Olha, pra ser sincero, eu aprendi mesmo sobre isso quando comecei a dar aulas.”

Repita essa investigação com outros professores. Você descobrirá que essa resposta é muito mais comum do que parece, e ajuda a perceber que o esforço para ensinar algo é um dos melhores caminhos – senão o melhor – para realmente aprender sobre algum assunto. Essa é a premissa da “técnica Feynman”, que explicamos a seguir. Continue Lendo “Aprender ensinando: a técnica Feynman”

A relação (nem sempre perfeita) entre empenho e desempenho

Na vida acadêmica, é comum que as pessoas sejam avaliadas pelo seu desempenho. Resultados em provas, histórico escolar a aprovações em vestibulares costumam constituir a face mais visível dessa realidade. Entretanto, esses “números finais” costumam esconder elementos importantes do caminho, ligados ao esforço, ao investimento de tempo e energia, enfim, ao empenho de cada estudante.

Reconhecer a relação de “causa” e “efeito” entre empenho e desempenho pode ser uma boa estratégia para a tomada de decisões de estudo a cada momento. Ao mesmo tempo, vale a pena entender as circunstâncias em que essa “causalidade” deixa de funcionar plenamente, para que seja possível atuar de maneira mais produtiva. Continue Lendo “A relação (nem sempre perfeita) entre empenho e desempenho”

Não se torne refém do perfeccionismo

A definição da palavra “perfeito” sugere a ideia de algo “completo”, “feito de todo, sem que nada falte ou sobre”. No âmbito acadêmico, às vezes nos referimos a uma “resposta perfeita”, a uma “prova perfeita”, a uma “redação perfeita”. Trata-se de uma avaliação elogiosa, sem dúvida, mas também subjetiva: o grau de exigência de cada pessoa pode variar e aí um pequeno detalhe pode ser visto como falha, como imperfeição.

Quando uma pessoa é altamente exigente com suas obras e as dos outros, dizemos que se trata de alguém perfeccionista. Nesse caso, porém, há menos elogio do que crítica. E o pior: pessoas perfeccionistas costumam acumular uma certa dose de angústia e frustração, eventualmente chegando a uma espécie de paralisia: “Se não consigo fazer algo perfeito, é melhor nem fazer nada”, pensam. Diante de quadros assim, um desafio se impõe: desconstruir a lógica do pensamento perfeccionista. Continue Lendo “Não se torne refém do perfeccionismo”

A mudança de hábitos pelo viés da motivação

Sem entrar em um debate sobre a avaliação dos hábitos, é possível partir da premissa de que, para boa parte das pessoas, alguns hábitos são mais positivos, saudáveis, enriquecedores do que outros. E todos nós, muito provavelmente, temos hábitos que gostaríamos de evitar e hábitos que gostaríamos de desenvolver.

Estudar com afinco, ingerir alimentos saudáveis, fazer exercícios físicos, dormir bem são alguns exemplos de comportamentos frequentemente vistos como positivos. Por outro lado, ficar muito tempo diante de uma tela, estudar apenas na véspera, comer “besteiras” na rua são hábitos que muitos gostariam de evitar ou reduzir ao mínimo. Se é verdade que muitas pessoas gostariam de mudar seus hábitos, praticando os mais saudáveis e evitando os prejudiciais, por que isso é tão difícil? Continue Lendo “A mudança de hábitos pelo viés da motivação”

Por que gostamos de estudar algumas coisas, e não outras?

A palavra “gostar” remete à ideia de “prazer”. Segundo estudos em áreas ligadas à neurociência, as experiências de prazer são sensações corporais agradáveis, que a Natureza nos oferece, para “premiar” comportamentos que favoreçam a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie. Ao que parece, uma série de neurotransmissores é ativada para nos trazer essas sensações positivas quando matamos a fome ou conseguimos um momento para dormir, por exemplo. Mesmo que não estejamos exatamente com a vida sob ameaça, carregamos essa herança evolutiva em nossos corpos. Continue Lendo “Por que gostamos de estudar algumas coisas, e não outras?”

Aprender em sala para não ficar “endividado” em casa

De modo bastante simples, podemos dizer que existem dois “momentos” de estudo em um modelo escolar tradicional: durante a aula e em casa. Do ponto de vista da aprendizagem, o primeiro costuma ser mais “passivo”, pois o professor detém a centralidade do discurso e da transmissão de conteúdos. Por sua vez, o estudo em casa costuma exigir uma postura mais ativa do aluno, na medida em que o ritmo das atividades é determinado por ele mesmo.

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