Aprender ensinando: a técnica Feynman

Imagino que você tenha alguns excelentes professores. Se puder ter uma conversa com pelo menos algum deles, pergunte como foi que ele aprendeu essas coisas que ensina. Ele provavelmente dirá que era um bom aluno na escola e que fez uma boa faculdade. Insista na investigação, perguntando sobre algum tópico especialmente complicado:

“Quer dizer que, quando você começou a dar aulas, já dominava assim o assunto X, só com o que aprendeu durante a faculdade?”

Muito provavelmente, se ele puder fazer uma reflexão honesta, dará a seguinte resposta:

“Olha, pra ser sincero, eu aprendi mesmo sobre isso quando comecei a dar aulas.”

Repita essa investigação com outros professores. Você descobrirá que essa resposta é muito mais comum do que parece, e ajuda a perceber que o esforço para ensinar algo é um dos melhores caminhos – senão o melhor – para realmente aprender sobre algum assunto. Essa é a premissa da “técnica Feynman”, que explicamos a seguir. Continue Lendo “Aprender ensinando: a técnica Feynman”

O Enem e a Teoria de Resposta ao Item (TRI)

Nesta época do ano, às vésperas do Enem, muitos responsáveis nos procuram para tentar entender melhor a metodologia utilizada na prova, a tal da T.R.I. Afinal, diferentemente das provas objetivas tradicionais, no Enem, o número de acertos do aluno não é uma informação suficiente para avaliar seu desempenho. Neste sentido, nossa intenção é tentar traduzir um pouco dessa complexa teoria e explicar a estratégia transmitida aos alunos. Antes de mais nada, vale uma breve contextualização da prova. Continue Lendo “O Enem e a Teoria de Resposta ao Item (TRI)”

Gestão do tempo (I): princípios fundamentais

A expressão “gestão do tempo” aparece muito na vida adulta, principalmente em profissões e trabalhos mais tradicionais. Ao lado dela, surgem termos como “produtividade”, “eficiência”, “resultado”, “planejamento”, “organização”. Olhando para esse conjunto, pode-se ter a impressão de que aprender a gerenciar o tempo significa apenas poder trabalhar mais e se cansar mais.

Nada disso. Saber usar melhor o tempo tem justamente o objetivo contrário: permitir que se escolha o que fazer com o tempo, usando esse recurso a seu favor, em vez de se tornar refém dele. Dizendo com outras palavras, saber usar bem o tempo significa, a nosso ver, poder atingir os objetivos que você definiu para sua vida e que aumentam sua realização e sua felicidade. Continue Lendo “Gestão do tempo (I): princípios fundamentais”

A relação (nem sempre perfeita) entre empenho e desempenho

Na vida acadêmica, é comum que as pessoas sejam avaliadas pelo seu desempenho. Resultados em provas, histórico escolar a aprovações em vestibulares costumam constituir a face mais visível dessa realidade. Entretanto, esses “números finais” costumam esconder elementos importantes do caminho, ligados ao esforço, ao investimento de tempo e energia, enfim, ao empenho de cada estudante.

Reconhecer a relação de “causa” e “efeito” entre empenho e desempenho pode ser uma boa estratégia para a tomada de decisões de estudo a cada momento. Ao mesmo tempo, vale a pena entender as circunstâncias em que essa “causalidade” deixa de funcionar plenamente, para que seja possível atuar de maneira mais produtiva. Continue Lendo “A relação (nem sempre perfeita) entre empenho e desempenho”

Concentração na prática: a técnica “pomodoro”

No final dos anos 80, o estudante italiano Francesco Cirillo estava experimentando um período de baixa produtividade nos estudos, em seu segundo ano de universidade. Observando uma colega que estudava com enorme concentração, ele começou a se analisar criticamente. Por que tantas coisas o distraiam? Por que ele não conseguia estudar sem se deixar interromper? Continue Lendo “Concentração na prática: a técnica “pomodoro””

Aprender em sala para não ficar “endividado” em casa

De modo bastante simples, podemos dizer que existem dois “momentos” de estudo em um modelo escolar tradicional: durante a aula e em casa. Do ponto de vista da aprendizagem, o primeiro costuma ser mais “passivo”, pois o professor detém a centralidade do discurso e da transmissão de conteúdos. Por sua vez, o estudo em casa costuma exigir uma postura mais ativa do aluno, na medida em que o ritmo das atividades é determinado por ele mesmo.

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